terça-feira, dezembro 21
Eu não sei porque insisto, se eu sei que vai doer depois. Sei que minha consciência, vai me castigar por dias. Talvez, até por meses. Não sei porque acredito em você, se eu sei que você lê minha mente e isso torna tudo muito mais difícil (pra mim). Injusto. Cruel. Não sei porque finjo que não ligo, se meu coração se arrasta toda vez que não nos falamos e eu tenho que lembrar de respirar para não morrer sufocada, no nada que me resta. Morar no vazio que sobra, toda vez que você não está. Eu não sei porque não escolho partir, ao invés de ficar. Porque a parte que não é boa, consegue ser maior que todo resto. Estando longe ou ao seu lado, ainda sinto sua falta. Ainda sofro. Soluço enquanto falo, na tentativa de camuflar o choro. Tentando disfarçar que não te quero. Que não te amo. Que não te amei. Que sei que você não é perfeito. Que nunca foi. Que o perfeito não existe. Que você foi criado. Que criei um monstro. Que vivo com um fantasma. Que me assusta. Que me espanta. Que consegue me fazer sorrir, nos momentos em que não me faz chorar. Já não tenho coragem me olhar no espelho. Não consigo dizer a mim mesma que errei. Que acreditei e movi montanhas por alguém que não merecia. Que não merece. Não de mim. Talvez de um outro alguém, um dia. Em outra vida, acho mais provável. Porque amar exige a alma. Amar exige bondade. A verdade. Por mais que ela te corte em pedaços e destrua seu coração cansado. Sempre existe um compromisso. Declarado. Disfarçado. Dividido. Mas, existe. Existem sonhos. Sonhos que foram sonhados, para serem vividos a dois. Lembranças que só farão sentido, se nos fizer sentir bem. Cartas que foram escritas com finais felizes. Com remetente. Data. Significados por trás de cada linha escrita. Cada palavra escolhida. Preciso criar coragem e dizer para mim que acabou. Jogar fora seu sorriso lindo. Esquecer o apelido fofo que você me deu. Não pensar que me encaixo perfeitamente em seus braços. Que seu cheiro é o melhor entre os melhores, que fica impregnado na minha roupa. Como você no meu pensamento. Que não, não é bonito e não é seu jeito exclusivo de amar. Não tenho que aceitar. Não tenho que entender. Não tenho que fazer por merecer. Dei a você uma vida. Dias e noites. Meus melhores pensamentos. Minhas mais lindas palavras. Mereço tudo de volta. Quero, tudo de volta. Não posso te amar por nós dois. Tão pouco viver sem ser amada. Então, eu me despeço. Sei que não existe muito. Agora sei. Mas, parece que o fato de ter um dia existido um pouco, duplica ainda mais o que não tivemos. Chega de sofrer por amor. Chega de sofrer de pensar que é amor. O que é pior. Porque deixei de ser eu. E o que sinto, deixou de ser há muito tempo, o que eu realmente merecia. O que eu mereço. Então, não me procure. Apague-me de sua memória. Tire-me de sua estante de conquistas. Preciso ser feliz, sem precisar me convencer disto. Sem precisar procurar motivos em mim. Sem precisar me enganar e quase acreditar, que o erro é meu. Nada precisa ser até que a morte nos separe. Mas, precisa ser sempre melhor do que pior. Sempre!
