segunda-feira, fevereiro 28
Parei de chorar na frente dos outros na mesma época que comecei a chorar sozinha no meu quarto. Sinto o gosto salgado das lágrimas toda vez que elas chegam na minha boca, mas não sei dizer se é bom ou ruim. Talvez eu preferisse o gosto do Danoninho de morango congelado, que eu insistia em chamar de sorvete quando era criança. Mas isso já faz tempo. É, faz muito tempo. Usava um chaveiro que era rosa e nele era escrito “Dream” e ele arrebentou no zíper da minha mochila e achei que foi um recado para mim. Lembrei de uma frase que li em um blog que dizia assim: “Sou sempre eu mesmo, mas concerteza não serei o mesmo para sempre”. Chego à conclusão de que crescer é se conhecer cada vez menos. Hoje, o MSN apita, indicando que você entrou e espero feito idiota você me dar um “oi”. E é claro que você não diz nada. Eu digito ”e aí?”, só imaginando você fechando a janela e me ignorando, antes de seu status mudar para “Away”. Ainda insisto em ler livros e ver filmes que me fazem pensar. Talvez seja a unica da minha idade que gosta de fazer isso. Ou talvez eu seja mesmo de um planeta diferente, esperando para ser resgatada e então encontrar aqueles que se parecem comigo.

