sexta-feira, março 11

Costumávamos ser dois em um, nas tardes dos finais de semanas que pareciam pálidos, mas que quando vistos por nós, transformavam-se em um arco-íris de cores. Tínhamos todo um tempo livre só pra nós, todos os assuntos passavam por nossas bocas, e trocávamos elogios e brincadeiras que faziam com que um sorriso fosse exposto em nossa face. Com você ao meu lado eu tinha um bom motivo para lutar por minha felicidade, pois ela se resumia a você. Risos, lágrimas, abraços, saudade. Você me trazia uma porção de coisas que fazia com que eu me sentisse vivo, e assim vivia. A linha dos meus olhos se encontrava aos seus e por mais que não passasse disso, eu me sentia repleto de alegria por ter uma garotinha tão linda à minha frente, a garotinha que dizia sonhar comigo e precisar me encontrar depois disso, a garotinha que me acordava com as mensagens mais fofas do mundo como: “bom dia meu Lucas”. Até que um dia tudo acabou em um piscar de olhos, o que parecia eterno se quebrou e você se foi. Uma ligação que resumidamente me dizia em brutas palavras “o amor da sua vida se foi, sua alegria se foi, tudo se perdeu, ela agora está longe de nós, foi um acidente”. Minha mente não conseguia processar todas aquelas informações, não me foi oferecido nenhum pouco de cautela ao me dar tal notícia, meu desespero tomou conta de mim, o copo d’água veio de onde eu menos esperava, mas isso não me acalmou. E mais eu ouvia: “sua melhor amiga se foi, seu amor, aquele alguém com quem você brincava de fazer planos de um dia ter filhos”, por mais que fossem apenas ideias de meros adolescente sonhadores era isso o que me compunha, mas havia partido. Os dias foram se passando e eu me via tonto em meio a multidão, era como se houvesse tudo e nada ao mesmo tempo, um lugar cheio de pessoas e um abismo abaixo de nós, meus gritos de sufuco não eram o suficiente, meu travesseiro estava cansado de mim, já encharcado. Mas eu tive que aprender a seguir, eu não pude me despedir, só lembro-me da última conversa como se fosse ontem, e ela dizia “não o quero sofrendo por mim, vou estar com você seja onde eu estiver” irônico, não ? Como eu saberia que essa seriam as últimas palavras dela? Por que naquele momento eu não disse que ela foi tudo de melhor que já aconteceu na minha vida? Eu não pude pedir para que me esperasse pra nos reencontrarmos um dia. Meu dia se encerrou e com os dentes cerrados a raiva estava em mim, não havia um pretexto para aceitar aquilo, nada me fazia entender. Minha melhor amiga me deixara, a solidão me agarrara. Dois amigos, uma história, um amor, um sonho, tudo se foi e só Deus um dia irá mostrar o fim dessa história…


                                            Por Lucas de Alcântara à Bruna Peron.